terça-feira, 6 de agosto de 2019

A origem dos conflitos entre a Maçonaria e a Igreja Católica



Pode-se dizer que a Maçonaria nasceu na Igreja Católica. Como construtores que eram, os maçons passavam longo tempo a construir catedrais e mosteiros. Estes pedreiros, homens simples, ignorantes e rudes, recebiam principalmente dos dominicanos, com quem viviam em estreito relacionamento, instrução e evangelização. Além de ler e escrever aprendiam dar graças à caridade e aos princípios morais do cristianismo. Podemos crer que, em alguns ritos, a prece na abertura dos trabalhos e o tronco da viúva, seja resultado desta convivência.

Vejamos, então, como começaram os conflitos
A Maçonaria como instituição associativa deu os seus primeiros passos em 1356, quando um grupo de pedreiros se dirigiu ao prefeito de Londres, e solicitou o registo da Associação de Pedreiros Livres. Oficialmente registrada e devidamente autorizada, os seus membros passaram a ter certos direitos e vantagens, tais como: Trânsito Livre, naquela época não se tinha a liberdade de viajar; Liberdade de reunião, naquele tempo era proibida, devido ao receio de conspirações e tramas contra os poderes constituídos; e a Isenção de impostos que obviamente agrada a qualquer um.
Pouco tempo depois, em 1455, Jonhann Gutemberg inventa a impressora com símbolos móveis, e é publicada a primeira Bíblia em latim. Assim, o evangelho passa a chegar mais facilmente a todas as camadas da população.

Quem lê, pensa mais e sabe mais. A história começava a mudar
Em 1509 subiu ao trono da Inglaterra o rei Henrique VIII que, logo de seguida, se casa com Catarina de Aragão. Porém, mais tarde, apaixonado por Ana Bolena, contraria-se ao não obter do Papa o divórcio para casar com a sua amante. Após insistentes tentativas, revolta-se e simplesmente não reconhece a autoridade do Papa, fundando uma nova religião, a Anglicana. Constitui-se como único protector e chefe supremo da Igreja e do clero de Inglaterra, acaba com o celibato dos padres e confisca os bens da Igreja.

Henrique VIII é excomungado, mas não se preocupa minimamente
Com a morte de Henrique VIII em 1547, o trono foi ocupado por vários reis e rainhas até à chegada, em 1558, de Elizabete I que, como Rainha da Inglaterra, solidifica a Igreja Anglicana, como está, até aos dias de hoje. Durante o seu governo, a Inglaterra torna-se uma potência mundial e, embora não fosse um súbdito católico, por tudo que ela fez contra o catolicismo em geral, o Papa Pio V excomungou-a em 25 de Fevereiro de 1570.

Até aqui, a Maçonaria continuava operativa. Não incomodava e nem era incomodada
Em 1600, um facto aparentemente sem importância iria mudar os rumos da Maçonaria. É aceite o primeiro Maçom especulativo, de que se tem notícia Lord Jonh Boswel, um agricultor (plantava batatas). Foi o primeiro a ver vantagens em pertencer à Associação dos Pedreiros Livres. Em 1646 é aceite outro especulativo, Elias Ashmole. A importância deste facto é que Ashmole era um intelectual, alquimista e rosa-cruz. Alguns autores atribuem-lhe a confecção dos Rituais do 1°, 2° e 3°grau, graças aos seus conhecimentos de Rosa-cruz.

As lojas proliferavam. Eram mistas ou só de especulativos
Em 24 de Junho de 1717 é fundada a Grande Loja de Londres e a partir daí a Maçonaria começou a expandir-se e a ser exportada para países vizinhos: Holanda em 1731; França e Florença em 1732; Milão e Genebra em 1736 e Alemanha em 1737. Esta estranha sociedade secreta, que guarda segredo absoluto de tudo o que faz, constituída de nobres e aristocratas, começou a inquietar os poderes dominantes de cada país. O medo das tramas e subversões para derrubar o poder foi mais forte, e começaram as proibições. Sem saber o que acontecia nas reuniões, sempre secretas, criou-se um alvoroço, e muitos governantes pediam providências ou soluções ao Papa. As alegações eram de que a sociedade admitia pessoas de todas as religiões; que era exigido aos seus membros segredo absoluto, sob severas penas, e que prestava obediência a um poder central de Londres. O que fazer?

Com o Papa Clemente XII doente, constantemente acamado, totalmente cego há 6 anos, rodeado de pessoas que lhe filtravam as informações e ainda sob a pressão dos governantes que exigiam providências e, também, dos inquisidores que exerciam a sua influência, o Papa assinou em 28 de Abril de 1738 a Bula In Eminenti, selando assim o destino dos maçons católicos em especial, e da maçonaria em geral.

Esta Bula excomungava todos os maçons e afirmava que era bom exterminar estas reuniões clandestinas, pois, poderiam actuar contra o governo. Bem, com a divulgação e publicação da Bula nos países católicos, foram-se desencadeando as proibições. Em França, o parlamento não a aprovou e por isso não foi promulgada. Sendo assim, em França, oficialmente, a Bula não entrou em vigor. Nos Estados Pontifícios (Itália desunificada), cuja constituição administrativa era católica, todo o delito eclesiástico era castigado como delito político, e vice-versa. Infringir a religião era infringir a lei.
Deu-se então uma verdadeira caçada à maçonaria e aos seus membros. A inquisição, encarregada de executar as ordens papais torturou, matou e queimou inúmeros maçons e, logicamente, pessoas inocentes que eram confundidas com maçons. Em 1800 foi eleito Pio VII, e durante o seu papado, surge Napoleão Bonaparte. Entre outros feitos, provocou a fuga da coroa portuguesa para o Brasil em 1808 e conquistou Roma, proclamando o fim do poder temporal do Papa mantendo-o preso no castelo de Fontainebleau. Pio VII só recuperou parte das suas possessões, com a queda de Napoleão em 1815. Nesta época, porém, o mundo já não era mais o mesmo.

Os ideais de libertação afloravam e iniciaram-se diversos movimentos pelo mundo, praticamente todos liderados por maçons, que conseguem a independência dos seus países. Estados Unidos, 1783; França, 1789; Chile, 1812; Colômbia, 1821; Peru, Argentina e Brasil, 1822. A maçonaria deixou então de ser simplesmente inconveniente e passou a ter mais acção, concreta e objectiva, e com isto recebia condenações mais veementes da Igreja. Neste momento façamos uma pequena paragem. A maçonaria até aqui tinha sido sempre condenada e perseguida por terceiros motivos. Até este momento a Igreja Católica nunca tinha sido atingida directamente pela influência maçónica.

O facto que realmente condenou a maçonaria pela Igreja Católica aconteceu no processo da reunificação da Itália. O trauma desse episódio não é esquecido até hoje por alguns sectores da Igreja.
A Itália, nesta época, era uma “Manta de Retalhos”, constituída por vários estados entre os quais os Estados Pontifícios, que correspondiam a aproximadamente 13,6% do total da Itália, ou seja, eram 41.000 km², que pertenciam ao clero e localizavam-se na região central. A população dos Estados Pontifícios não tinha acesso a nenhum cargo público, que era explorado pelo clero. Todos os funcionários públicos usavam o hábito. O inconformismo e os movimentos de libertação começam em 1767, sendo os jesuítas expulsos de Nápoles.

Em 1797 é fundada a Carbonária, seita de carácter político independente da maçonaria, que tinha como objectivo principal a Unificação da Itália. Pio VII em 1821, lança a Bula Ecclesiam a Jesus Cristocondenando a actividade dos carbonários. A Carbonária tornou-se perigosa e prejudicial à maçonaria, pois era confundida com esta. Os Carbonários tinham os seus aprendizes, mestres, grão-mestres, oradores, secretários, sinais, toques, palavras, juramentos e é claro, segredos.

Os principais líderes Carbonários: Cavour, Mazzini e Garibaldi eram maçons, por isso, a Carbonária era muito confundida com a maçonaria, porém, diferenciavam-se pela origem, finalidade e actividades. Os carbonários matavam se fosse preciso. Nos Estados Pontifícios explodiram grandes desordens. A insatisfação contra o clero, que não permitiam que os leigos ocupassem cargos administrativos, era grande.

Em 1848 o Papa Pio IX é obrigado a refugiar-se em Nápoles, devido à revolução, e lança após alguns meses a encíclica Quibus Quantisque, responsabilizando a Maçonaria pela usurpação dos Estados Pontifícios. Em 1849 é proclamada por uma Assembleia a República em Roma. Nesse momento, Pio IX lançou cerca de 230 condenações contra a maçonaria. Ele e o seu sucessor, Leão XIII, lançaram cerca de 600 documentos de condenações. Em 14 de Maio de 1861, Vítor Manoel é proclamado Rei da Itália Unificada.

Como se vê, a Maçonaria estava condenada. Motivo? A Unificação da Itália… Ideal Carbonário
Em 27 de Maio de 1917 é promulgado por Bento XV, o primeiro Código de Direito Canónico, também chamado de Pio Beneditino onde se refere a Maçonaria da seguinte forma, no seu Cânon 2335:
Os que dão o seu próprio nome à seita maçónica ou a outras associações do mesmo género, que maquinam contra a Igreja ou contra os legítimos poderes civis, incorrem Ipso Facto, na excomunhão simplificter reservada à Sé Apostólica”.

E mais, recomendava noutros Cânones o seguinte: Que as católicas não se casassem com maçons; que seriam privados de sepultura eclesiástica; privados da missa de exéquias; não seriam admitidos em associações de fiéis; não poderiam ser padrinhos de casamento; não fariam a confirmação do baptismo (crisma); não teriam direito ao patronato, etc.

Os Sacramentos proibidos são: Baptismo, Eucaristia, Crisma, Penitência (confissão), Matrimónio, Ordenação Sacerdotal e a Unção dos Enfermos. Para atender os anseios dos irmãos católicos, a Maçonaria criou o Ritual de adopção de Loutons, de apadrinhamento, Ritual de Pompas Fúnebres e o Ritual de confirmação de casamento. Em 11 de Fevereiro de 1929 foi criado o Estado do Vaticano pela assinatura do Tratado de Latrão, onde o poder Papal ficava restrito ao Vaticano com 44.000 m2 (anteriormente tinha 41.000 km2) e Pio XI reconhecia a posse política de Roma e dos Estados Pontifícios e afirmava a sua permanente neutralidade política e diplomática, etc. Com o Tratado de Latrão assinado, encerra-se o processo da Unificação da Itália. O ideal Carbonário fora conseguido e a Carbonária desaparece logo após a Unificação da Itália. Enfim, ficou o estigma da condenação. Em 27 de Novembro de 1983, já sob a autoridade do Papa João Paulo II, foi publicado um novo Código de Direito Canónico, que entrou imediatamente em vigor, reduzindo para 1752 os 2414 Cânones do antigo código.

O Código mais importante, referente à Franco-Maçonaria, é o 1374: 
Aquele que se filia numa Associação que conspira contra a Igreja, deve ser punido com justa penalidade; e aqueles que promovem e dirigem estes tipos de Associações, entretanto, devem ser punidos com interdição”. 
Com isto, a maçonaria está legalmente e literalmente livre do estigma.

Entretanto, no mesmo dia, foi publicada uma Nota no jornal oficial do Vaticano, a Declaração da Congregação para a Doutrina da Fé, que dizia: “Permanece imutável o juízo negativo da Igreja perante as Associações Maçónicas, porque os seus princípios sempre foram considerados inconciliáveis com a Doutrina da Igreja, e por isso, a inscrição continua proibida. Os fiéis que pertencem às Associações Maçónicas estão em estado de PECADO GRAVE e não podem receber a SANTA COMUNHÃO. “Não compete às autoridades eclesiásticas locais, pronunciarem-se sobre a natureza das Associações Maçónicas com um juízo que implica na revogação do que é estabelecida”. A publicação da Declaração foi mais uma acomodação política aos minoritários insatisfeitos, e pode-se dizer a contragosto do Papa. Afinal, ela afrontava uma decisão já tomada e aprovada, logicamente pela maioria de toda a Congregação reunida com a finalidade específica de renovação do Código.

Enfim, com a publicação no novo Código do Direito Canónico, e também da declaração da Congregação para a Doutrina da Fé, o que mudou na relação entre a Maçonaria e a Igreja Católica? Mudou muito pouco em relação ao que se esperava, mas esse “muito pouco” é alguma coisa para quem não tinha nada. É uma esperança.


Paciência e esperança, estas são as palavras
A pacificação total virá com certeza, mas não se pode ter pressa. Já foi um enorme passo a publicação do novo Código de Direito Canónico. Na medida em que, paulatinamente, as luzes se forem acendendo no entendimento de cada autoridade eclesiástica, certamente novos horizontes surgirão. Vimos, pela própria aprovação do Código do Direito Canónico, que a maioria do clero quer a pacificação, senão ele jamais seria aprovado, e é isto que deve acalentar as esperanças dos católicos, e até lhes dar confiança diante das vicissitudes. Se o progresso é lento para a pacificação total, por outro lado, não há nada que justifique um retrocesso no futuro.


Objeções finais
No final de 1983, no ano em que foi publicado o novo Código de Direito Canônico, a mesma Congregação para a Doutrina da Fé emitiu uma segunda declaração onde dizia que continuava "imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçónicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e por isso permanece proibida a inscrição nelas". Ainda, acrescentou que os "fiéis que pertencem às associações maçónicas estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão".

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Ecumenismo e diálogo inter-religioso


É regra: todos os anos, a Igreja Católica envia uma mensagem aos muçulmanos pelo mês do Ramadã, outra aos budistas pela festa do Vesakh e uma terceira aos hindus pela festa do Deepavali. Quem assina os textos é o presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso, o organismo da Cúria Romana dedicado às relações da Igreja Católica com outras religiões (VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA FRANCISCO AOS EMIRADOS ÁRABES UNIDOS).

Em outra sala do mesmo prédio, na Via della Conciliazione, número 5, em Roma, outro organismo da Cúria tem, entre outras, a tarefa de coordenar comissões de diálogo bilateral com ortodoxos, luteranos, batistas, anglicanos, metodistas e menonitas. É o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

Esses dois organismos – ou dicastérios, como são chamados organismos da Cúria Romana como esses – têm missões diferentes. Um faz diálogo inter-religioso e o outro faz ecumenismo. Embora essas duas realidades tenham a ver com diálogo, compreensão, amizade e tolerância, não são sinônimas: os interlocutores são diferentes, e os objetivos também.

A confusão entre os termos costuma ser consequência de uma confusão anterior: falar de religiões, no plural, quando queremos na verdade nos referir às diferentes denominações cristãs. O cristianismo é uma só religião. Portanto, o diálogo entre luteranos e católicos ou entre anglicanos e ortodoxos não é inter-religioso. Essas relações são chamadas de ecumênicas.

Para ser visualmente didático: abaixo, está uma foto do encontro de líderes religiosos convocado por Bento XVI em outubro de 2011, em Assis, para levantar a voz em favor da paz e comemorar os 25 anos de um encontro do mesmo tipo concebido por João Paulo II e realizado no mesmo local. Francisco hospedaria um encontro semelhante em 2016."


"À direita estão os interlocutores da Igreja Católica na esfera do diálogo inter-religioso: um representante do judaísmo, um das religiões tradicionais africanas, um do hinduísmo, um do budismo e um do islamismo. À esquerda estão os interlocutores da Igreja Católica no âmbito do ecumenismo. Da direita para a esquerda: um representante dos ortodoxos bizantinos, um dos anglicanos, um dos ortodoxos orientais e um dos protestantes. A exceção da foto é a filósofa búlgaro-francesa Julia Kristeva, à esquerda, que participou do encontro representando as pessoas agnósticas.

Objetivos diferentes
Os proponentes do diálogo inter-religioso não têm como objetivo a fusão entre as religiões ou qualquer coisa parecida: o objetivo do diálogo é a busca de compreensão mútua entre as religiões e a sua cooperação em vista da paz e da justiça. Já o objetivo do ecumenismo é, sim, chegar à plena unidade entre os cristãos.

O Conselho Mundial de Igrejas (CMI), fundado em 1948 e que reúne hoje 349 igrejas, se define como “uma comunidade de igrejas a caminho da unidade visível em uma fé e uma comunhão eucarística”.

Do ponto de vista da Igreja Católica – que não é membro pleno do CMI –, o mais importante documento eclesial sobre o assunto – o decreto Unitatis redintegratio, do Concílio Vaticano II (1962-1965) – afirma que um dos principais propósitos do concílio foi “promover a restauração da unidade entre todos os cristãos”."

"Bento XVI, por exemplo, defendeu que “a meta do ecumenismo é a unidade visível entre os cristãos divididos” – e no início do seu pontificado, em 2005 (SANTA MISSA PELA IGREJA UNIVERSAL), disse assumir “como compromisso primário o de trabalhar sem poupar energias na reconstituição da plena e visível unidade de todos os seguidores de Cristo” e estar “disposto a fazer tudo o que estiver em seu poder para promover a fundamental causa do ecumenismo”.

De fato, a passagem bíblica que é mais comumente relacionada com o ecumenismo é um trecho da oração de Jesus ao Pai durante a última ceia no Evangelho de João (17, 21): “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim; para que todos sejam um, como tu, Pai, és em mim e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste”. A unidade, assim, fica relacionada com a credibilidade do testemunho cristão.

Unidade como?
No entanto, segundo a posição oficial da maior parte das igrejas envolvidas com o ecumenismo, essa plena unidade não significa bater tudo no liquidificador para dar origem a uma nova igreja unificada. Também não significa incorporar ou submeter umas igrejas a outras, nem “converter” todos os cristãos a uma das igrejas existentes.

A título de exemplo, o papa Francisco já deixou claro que a unidade entre os cristãos não é “uniformidade” nem “absorção”. “Procurar suprimir tal diversidade significa ir contra o Espírito Santo, que age enriquecendo a comunidade dos crentes com uma variedade de dons”, afirmou, dizendo ainda que “a unidade dos cristãos não comporta um ecumenismo ‘de marcha atrás’, pelo qual se deveria renegar a própria história de fé; nem sequer tolera o proselitismo, que aliás é um veneno para o caminho ecumênico”.

O patriarca ecumênico* de Constantinopla Bartolomeu I, por sua vez, ressaltou: “Na medida em que uma igreja reconhece que outra igreja é uma fonte de graça santa e um guia que conduz à salvação, os esforços destinados a afastar os fiéis de uma igreja para que eles possam se unir a outra são inaceitáveis, sendo inconsistentes com o reconhecimento acima mencionado. Cada igreja local não é concorrente das outras igrejas locais, mas é um só corpo com elas e deseja a vida de unidade em Cristo, a restauração do que foi perturbado no passado e não a absorção da outra”.

No âmbito ecumênico, é comum usar a expressão “diversidade reconciliada” para falar desse modelo. A Federação Luterana Mundial o descreve como “um caminho para a unidade que não implica automaticamente a rendição de tradições confessionais e identidades confessionais” e em que “não há nenhum encobrimento sobre as diferenças. Tampouco as diferenças são simplesmente preservadas e mantidas inalteradas. Pelo contrário, elas perdem seu caráter divisivo e se reconciliam entre si”.

Assim, a unidade plena entre os cristãos respeitará a diversidade interna do cristianismo – e será grata pelo mútuo enriquecimento que ela possibilita.

*Nesse título, “ecumênico” tem outro significado, mais literal e também mais parecido com aquele que aparece na expressão “concílio ecumênico”. “Ecumenismo” vem do grego οἰκουμένη (oikouméne), que quer dizer “terra habitada”. No título do patriarca de Constantinopla, indica que ele é o primaz da comunhão ortodoxa. Embora cada uma das 14 igrejas ortodoxas seja autônoma, o patriarca de Constantinopla ocupa honorificamente a primeira posição entre os hierarcas de cada uma delas. Na ideia de concílio ecumênico, está a noção de uma assembleia que reúne bispos do mundo todo."

domingo, 28 de julho de 2019

Papa Francisco revela a novidade da oração cristã do Pai-Nosso


O Papa Francisco explicou neste domingo, 28 de julho, qual é a novidade da oração cristã do Pai-Nosso.

Durante a oração do Ângelus deste domingo, o Santo Padre refletiu sobre a narração bíblica do Evangelho de São Lucas, na qual são descritas as circunstâncias nas quais Jesus ensinou a oração do Pai-Nosso.

“Os discípulos já sabiam rezar, recitando as fórmulas da tradição judaica da época, mas também desejam poder viver a mesma ‘qualidade’ da oração de Jesus”, explicou o Papa.

Neste sentido, o Pontífice destacou que a narração do Evangelho deste domingo, o qual se encontra no capítulo 11 de São Lucas, relata como os discípulos “podem constatar que a oração é uma dimensão essencial na vida de seu Mestre. Na verdade, cada sua ação importante é caracterizada por prolongados momentos de oração”, afirmou.

Além disso, o Papa Francisco assinalou que os discípulos de Cristo “ficam fascinados, porque veem que Ele não reza como os outros mestres daquele tempo, mas que sua oração é uma ligação íntima com o Pai, tanto que desejam ser partícipes desses momentos de união com Deus, para saborear plenamente sua doçura”.

Assim, o Santo Padre recordou que a Bíblia descreve um dia em que os discípulos “esperam Jesus concluir a oração, em um lugar afastado, e depois lhe pedem: ‘Senhor, ensina-nos a rezar’”. Em resposta, “Jesus não dá uma definição abstrata da oração, nem ensina uma técnica eficaz para rezar e ‘obter’ alguma coisa”.
Fonte:  Acidigital, Vatican news.

Assassinato de liderança Wajãpi expõe acirramento da violência na floresta Amazonica


Cacique foi morto no Amapá na última quarta por garimpeiros, que depois invadiram aldeia, denunciam indígenas. Funai confirma morte e polícia está no local apurando circunstâncias.

Indígenas da etnia Wajãpi denunciaram neste sábado que um grupo de garimpeiros assassinou o cacique Emyra Wajãpi, de 68 anos, na última quarta-feira. A morte foi o início de um ataque à aldeia Mariry, que se concretizou depois entre sexta e sábado com a invasão de 50 garimpeiros no local, localizado no oeste do Amapá. A explicação foi dada ao EL PAÍS por Marina Amapari, ativista da causa indígena que está no município de Pedra Branca, onde fica o território Wajãpi. A Fundação Nacional do Índio (FUNAI) confirmou a morte e também está no local junto com as polícias Federal e Militar para "garantir a integridade dos indígenas e apuração dos fatos", afirmou em nota. O Ministério Público Federal (MPF) também está apurando a morte do cacique e as denúncias da invasão.
  
Segundo relatos, o cacique Emyra Wajãpi foi esfaqueado no meio da mata no momento em que se deslocava até sua aldeia, depois de ter ido visitar a filha. Seu corpo foi jogado no rio e encontrado por sua esposa. "Nós não queremos mais a morte das nossas lideranças indígenas. Estamos pedindo socorro para as autoridades competentes do Estado do Amapá", disse um morador da comunidade em vídeo recebido pelo EL PAÍS. Os indígenas relatam que garimpeiros estão invadindo aldeias durante a noite e agredindo mulheres crianças. Também estão realizando disparos com armas de fogo para intimidar as comunidades locais.
 
Um documento interno da FUNAI obtido pelo jornal Folha de S. Paulo aponta que cerca de 15 invasores portando armas de grosso calibre tomaram uma aldeia e têm feito incursões para intimidar os índios da região, de acordo com os relatos dos moradores do Terra Wajãpi. "Podemos concluir que a presença de invasores é real e que o clima de tensão e exaltação na região é alto", afirma o organismo, vinculado ao Ministério da Justiça. O documento afirma ainda que os invasores estão dormindo na aldeia Aramirã e forçaram os indígenas que ali moram a se concentrar na vizinha Marity, a 40 minutos caminhando, segundo o jornal. O órgão indigenista explica que não esteve no local do crime por causa da dificuldade de acessá-lo — é preciso se deslocar de carro, de barco e a pé —, mas orientou os indígenas a não se aproximarem dos homens armados, ainda segundo a Folha. Também recomendou que a presidência da FUNAI busque o apoio da Polícia Federal e do Exército.

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Por uma nova economia: as palavras do Papa na Bolívia em 2015


“A Economia de Francisco” será um grande evento em março de 2020, que se inspira no Santo de Assis, para procurar novas propostas de organização económica. Para ajudar à reflexão recordamos aqui as palavras do Papa Francisco na Bolívia em 2015, num encontro com os Movimentos Populares. Uma densa e forte intervenção do Santo Padre.

Em março de 2020 o Papa Francisco vai juntar em Assis estudantes e empresários de todo o mundo para procurarem em conjunto novas propostas de organização económica.
A Economia de Francisco”, é um evento que o Santo Padre há muito deseja e que, como o disse numa carta aos jovens, ajudará a procurar uma “economia diferente” que “faz viver e não mata” e “cuida a criação e não a despreza”.

Nessa mensagem aos jovens, o Santo Padre explica que Assis é o lugar apropriado para inspirar uma nova economia, pois foi ali que Francisco despojou-se de toda a mundanidade para escolher a Deus como bússola da sua vida, tornando-se pobre com os pobres e irmão de todos.

Uma das intervenções mais densas do Papa Francisco sobre a temática económica ocorreu em julho de 2015 durante a viagem papal à Bolívia durante o II Encontro Mundial dos Movimentos Populares. Três palavras foram o tema desse encontro: teto, terra e trabalho.

Recordamos aqui as palavras do Papa Francisco nessa ocasião, na reportagem da Rádio Vaticano.

Reconhecer para mudar
Foi através de um longo, mas claro discurso, sempre muito aplaudido, que o Papa Francisco convocou os membros dos movimentos populares para o reconhecimento da necessidade de mudança mas também para a ação concreta e decidida para aquilo a que o Santo Padre chamou de “processo de mudança”.
“Reconhecemos nós que as coisas não andam bem num mundo onde há tantos camponeses sem terra, tantas famílias sem tecto, tantos trabalhadores sem direitos, tantas pessoas feridas na sua dignidade?”

“Reconhecemos nós que as coisas não andam bem, quando explodem tantas guerras sem sentido e a violência fratricida se apodera até dos nossos bairros? Reconhecemos nós que as coisas não andam bem, quando o solo, a água, o ar e todos os seres da criação estão sob ameaça constante?”
“Então digamo-lo sem medo: Precisamos e queremos uma mudança.”

Um processo de mudança
O Papa Francisco afirmou neste ponto do seu discurso que “a globalização da esperança, que nasce dos povos e cresce entre os pobres, deve substituir esta globalização da exclusão e da indiferença.”
No seu discurso o Papa recolhe as suas profundas preocupações para com o recolhedor de papel, o catador de lixo, o artesão, o vendedor ambulante, o trabalhador irregular, a camponesa, o indígena, o pescador, o discriminado e o marginalizado.

Afirmando que os mais humildes e explorados podem fazer muito pelos grandes processos de mudança nacionais, regionais e mundiais, o Santo Padre, declarou-os como protagonistas e semeadores de mudança:
“Vós sois semeadores de mudança. Aqui, na Bolívia, ouvi uma frase de que gosto muito: «processo de mudança». A mudança concebida, não como algo que um dia chegará porque se impôs esta ou aquela opção política ou porque se estabeleceu esta ou aquela estrutura social. Sabemos, amargamente, que uma mudança de estruturas, que não seja acompanhada por uma conversão sincera das atitudes e do coração, acaba a longo ou curto prazo por burocratizar-se, corromper-se e sucumbir. Por isso gosto tanto da imagem do processo, onde a paixão por semear, por regar serenamente o que outros verão florescer, substitui a ansiedade de ocupar todos os espaços de poder disponíveis e de ver resultados imediatos. Cada um de nós é apenas uma parte de um todo complexo e diversificado interagindo no tempo: povos que lutam por uma afirmação, por um destino, por viver com dignidade, por «viver bem». “

Economia ao serviço dos povos
O Papa Francisco apontou algumas tarefas para a mudança: a primeira é pôr a economia ao serviço dos povos.  “A economia não deveria ser um mecanismo de acumulação, mas a condigna administração da casa comum” – evidenciou o Santo Padre que lembrou as necessidades de educação, de saúde, de cultura, de desporto e recreação. Afirmou mesmo que esta economia ao serviço dos povos não é uma utopia ou uma fantasia, mas é desejável e necessária. “Conheci de perto várias experiências, onde os trabalhadores, unidos em cooperativas e outras formas de organização comunitária, conseguiram criar trabalho onde só havia sobras da economia idólatra. As empresas recuperadas, as feiras francas e as cooperativas de catadores de papelão são exemplos desta economia popular” – afirmou o Papa.

Unir os povos no caminho da paz e da justiça
O Papa destacou que os povos do mundo querem ser artífices de seu próprio destino e nenhum poder constituído tem o direito de privar os países pobres do pleno exercício da sua soberania e quando o fazem, "vemos novas formas de colonialismo" que afetam as possibilidades de paz e de justiça. Em particular, o Papa referiu-se ao colonialismo ideológico.
Perdão pelos pecados da Igreja na colonização
Neste ponto do seu discurso, o Papa Francisco referiu-se aos “muitos graves pecados contra os povos nativos da América, cometidos em nome de Deus”. Ao mesmo tempo, o Santo Padre recordou tantos bispos, sacerdotes e leigos que pregaram e pregam a boa nova de Jesus e que “muitas vezes” colocaram-se “ao lado dos povos indígenas”, mesmo até ao martírio.

Defender a Mãe Terra
A cobardia em defender a casa comum, que está sendo saqueada, devastada e vexada impunemente é um pecado grave, disse o Papa, que lamentou a falta de resultados nos sucessivos encontros internacionais sobre o tema. "Não se pode permitir que certos interesses - que são globais, mas não universais", se imponham, submetendo Estados e organismos internacionais e continuem a destruir a criação”.

No final do seu discurso e em conclusão das ideias apresentadas, o Papa Francisco reafirmou que o futuro da humanidade está nas mãos dos povos:
“O futuro da humanidade não está unicamente nas mãos dos grandes dirigentes, das grandes potências e das elites. Está fundamentalmente nas mãos dos povos; na sua capacidade de se organizarem e também nas suas mãos que regem, com humildade e convicção, este processo de mudança.”

O Encontro de Assis para o qual o Papa convocou estudantes e empresários de todo o mundo para procurarem em conjunto novas propostas de organização económica, decorrerá nos dias 26, 27 e 28 de março de 2020. O tema será “A Economia de Francisco”. Uma primeira reunião preparatória vai acontecer em Florença no próximo dia 24 de setembro.

Portugal conta com dois representantes neste processo que agora se inicia de preparação do grande evento de Assis. São eles Américo Mendes, professor associado da Católica Porto Business School e Ricardo Zózimo, professor da Nova School of Business & Economics.


Abertas as inscrições para o encontro de três dias desejado pelo Papa Francisco, que pretende reunir em Assis, de 26 a 28 de março de 2020, jovens economistas, empreendedores, protagonistas de mudanças, provenientes de diversas partes do mundo.



O convite para participar do encontro “TheEconomy of Francesco. Os jovens, um pacto, o futuro” vem diretamente do Santo Padre, e é dirigido a jovens de até 35 anos.

As inscrições poderão ser feitas diretamente no site  https://francescoeconomy.org/.

Especialistas e jovens unidos por uma economia diferente
O evento The Economy of Francesco consistirá de laboratórios, eventos artísticos e plenárias com renomados economistas, especialistas em desenvolvimento sustentável, empreendedores e empreendedoras, que hoje estão comprometidos em nível mundial com uma economia diferente. A intenção é refletir e trabalhar em conjunto com os jovens nestes três dias.
Confirmadas as presenças dos ganhadores do Prêmio Nobel Muhammad Yunus e Amarthya Sen, mas também de Bruno Frey, Tony Meloto, Carlo Petrini, Kate Raworth, Jeffrey Sachs, Vandana Shiva e Stefano Zamagni, entre outros.

Todas as informações estão disponíveis no site www.francescoeconomy.org
Assis 2020: abertas incrições para encontro "Economia de Francisco",
Papa em Assis em 2020 com jovens economistas e empreendedores,
A Economia de Francisco, PDF. 
Jovens a caminho de uma nova economia (26 de fevereiro de 2020) 
Fonte: Vatican News
Economia de Francisco adiado para novembro 02/03/2020 

ONU convoca todos os níveis de governo a combater poluição do ar e mudanças climáticas


A ONU lançou nesta semana a ‘Iniciativa Ar Limpo’, que chama governos nacionais e subnacionais a comprometer-se em alcançar uma qualidade do ar segura para os cidadãos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada ano, a poluição do ar causa 7 milhões de mortes prematuras.

O cumprimento do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas poderia salvar mais de 1 milhão de vidas por ano até 2050. No marco dos esforços para alcançar as metas do acordo, a redução da poluição do ar, por si só, geraria benefícios de saúde estimados em 54,1 trilhões de dólares.

Em preparação para a Cúpula de Ação Climática de 2019, a ONU, a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e a Coalizão Clima e Ar Limpo anunciaram na terça-feira (23) uma nova inciativa para mobilizar países a combater a poluição do ar e o aquecimento global.

Iniciativa Ar Limpo chama governos nacionais e subnacionais a comprometer-se em alcançar uma qualidade do ar que seja segura para os cidadãos. O projeto também convoca os governos a alinhar as suas políticas de mudanças climáticas e de poluição do ar até 2030.

De acordo com a OMS, a cada ano, a poluição do ar causa 7 milhões de mortes prematuras. Desses óbitos, 600 mil são de crianças. Segundo o Banco Mundial, a poluição do ar custa à economia global estimados 5,11 trilhões de dólares em perdas sociais. Nos 15 países com os maiores volumes de emissões de gases do efeito estufa, os impactos de saúde da poluição do ar são estimados a um custo de mais de 4% do Produto Interno Bruto (PIB).

O cumprimento do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas poderia salvar mais de 1 milhão de vidas por ano até 2050. No marco dos esforços para alcançar as metas do acordo, a redução da poluição do ar, por si só, geraria benefícios de saúde estimados em 54,1 trilhões de dólares — o que equivale aproximadamente ao dobro das despesas com mitigação.

Governos em todos os níveis podem aderir à Iniciativa Ar Limpo por meio do compromisso com ações específicas, como:
  • Implementar políticas de qualidade do ar e mudança climática que permitam alcançar os valores do Guia de Qualidade do Ar Ambiente da OMS;
  • Implementar políticas de mobilidade elétrica e sustentável, bem como ações com o intuito de gerar impactos decisivos nas emissões do transporte rodoviário;
  • Calcular o número de vidas que são salvas, os ganhos de saúde para as crianças e para outros grupos vulneráveis e os custos evitados para os sistemas de saúde devido à implementação dessas políticas;
  • Monitorar progressos, compartilhar experiências e as melhores práticas por meio de uma rede internacional apoiada pela Plataforma de Ação Breathelife.
O anúncio da Iniciativa Ar Limpo foi feito na terça-feira, em Nova Déli, na Índia, pelo enviado especial do secretário-geral da ONU para a Cúpula de Ação Climática, o embaixador mexicano Luis Alfonso de Alba. A divulgação do projeto aconteceu após dois dias de reuniões com representantes de governos, empresas e sociedade civil.

“A crise climática e a crise da poluição do ar são causadas pelos mesmos fatores e devem ser combatidas por ações conjuntas. Os governos, em todos os níveis, têm tanto uma necessidade urgente quanto uma oportunidade urgente, não apenas de enfrentar a crise climática, mas também de melhorar a saúde e salvar as vidas de milhões de pessoas em todo o mundo, ao mesmo tempo em que fazem progresso nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável“, afirmou Alba.

“Chamamos governos em todos os níveis a apresentar-se à altura  desse desafio e a trazer compromissos poderosos e planos concretos para a Cúpula de Ação Climática.”

Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, lembrou que “nove em cada dez pessoas globalmente respiram um ar que não é adequado ao consumo humano”.

“Precisamos concordar, sem equívocos, com a necessidade de um mundo livre da poluição do ar. Precisamos que todos os países e cidades se comprometam a cumprir os padrões da OMS de qualidade do ar”, enfatizou o dirigente.

“A Cúpula Climática do secretário-geral este ano será uma oportunidade importante para assegurar compromissos sólidos e investimentos em intervenções comprovadas para (promover) sistemas de saúde resilientes ao clima e (realizar ações também) no monitoramento e implementação de políticas sobre a qualidade do ar.”

O secretário-geral da ONU, António Guterres, convocou a Cúpula de Ação Climática para 23 de setembro, em Nova Iorque, e chamou líderes de governos, empresas e sociedade civil a trazer ações ousadas e uma ambição muito maior para os debates.

Iniciativa Ar Limpo foi desenvolvida como parte da Área de Impulsionadores Sociais e Políticos de Ação, da Cúpula de Ação Climática. Essa área é liderada pela ONU, pelos governos do Peru e Espanha, pelo Departamento das Nações Unidas de Assuntos Econômicos e Sociais e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O chamado para melhorar a qualidade do ar é parte de um movimento mais amplo para canalizar mecanismos sociais e políticos, a fim de melhorar a saúde das pessoas, reduzir desigualdades, promover a justiça social e maximizar as oportunidades de trabalho decente para todos, ao mesmo tempo em que se protege o clima para as gerações futuras.

Na Cúpula de Ação Climática, a coalizão para os Impulsionadores Sociais e Políticos vai se comprometer com um futuro mais saudável e mais seguro para todos e chamar governos e instituições a se comprometer com ações pela saúde.

Governos de todos os níveis interessados em aderir à Iniciativa Ar Limpo podem entrar em contato pelo e-mail spdcast@un.org.

Para solicitações de imprensa e pedidos de entrevista para a OMS, entre em contato com Pippa Haughton pelo e-mail haughtonp@who.int.

Especialistas da OMS disponíveis para entrevistas:
Maria Neira — neiram@who.int
Diarmid Campbell-Lendrum — campbelllendrumd@who.int

Para solicitações gerais de imprensa, entre em contato com:
Esra Sergi — sergie@un.org
Deb Greenspan — +1 203 824 4327

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Fonte: Nações Unidas